A pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio afirmou que um estudo revisado por pares sobre a polilaminina está prestes a ser publicado. A cientista revelou a informação em entrevista à agência de notícias Reuters nesta quarta-feira, 3, mas não informou o nome da publicação que divulgará o material.
A revisão por pares é uma etapa obrigatória para validação científica. Nesse processo, especialistas independentes analisam os métodos, os dados e as conclusões apresentados pelos pesquisadores.
Tratamento com polilaminina ainda é experimental
A polilaminina é uma proteína derivada da placenta que busca estimular a regeneração de nervos lesionados. O tratamento ganhou notoriedade no Brasil por causa de pesquisas voltadas a pacientes com lesão na medula espinhal.
🚨🚨 Quince días después de recibir polilaminina, paciente con diagnóstico de lesión medular en T12 y paraplejia comenzó a mostrar movimientos activos al ejercitarse en el gimnasio. Antes del tratamiento, no tenía sensibilidad ni movimiento por debajo del nivel de la lesión. pic.twitter.com/1Ck6b3gvZm
— The Eagle flies free (@Fa21519230) February 28, 2026
A farmacêutica Cristália adquiriu a patente da tecnologia e investiu mais de R$ 110 milhões no desenvolvimento da substância. Apesar da repercussão, especialistas afirmam que ainda faltam estudos conclusivos sobre segurança e eficácia em humanos.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou apenas um ensaio clínico de fase 1, voltado à avaliação de segurança em cinco pacientes com lesões agudas completas da medula espinhal. O estudo ainda não começou.
Pesquisas anteriores foram rejeitadas
Atualmente, não há pesquisa publicada com resultados consolidados da polilaminina em pacientes humanos.
Tatiana enviou versões anteriores do estudo às revistas Nature Communications e Journal of Neurosurgery. Os dois periódicos rejeitaram o trabalho.
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Segundo relatos da época, as revistas apontaram divergências sobre taxas de recuperação usadas no estudo e ausência de registro prévio do ensaio clínico em banco internacional.
A pesquisadora também admitiu inconsistências em um dos casos analisados. Um paciente morreu poucos dias depois do procedimento, mas aparecia no estudo com melhoras registradas cerca de 400 dias depois do tratamento.
Uso compassivo cresce no Brasil
Mesmo sem aprovação definitiva, pacientes já utilizam a polilaminina no Brasil por meio do chamado uso compassivo. A legislação permite que pessoas sem alternativas terapêuticas solicitem autorização da Anvisa para tratamentos experimentais.
Em nota, a Academia Brasileira de Neurologia defendeu cautela dos pacientes ao aderirem ao tratamento.
“Recomenda que o uso de novas terapias deva ser realizado apenas em contexto de protocolos de ensaio clínico com rigor científico e aprovados por Comitês de Ética, conforme a legislação brasileira”, diz a nota.
Segundo a farmacêutica Cristália, 84 pacientes receberam autorização para uso compassivo da substância. Desse total, 44 casos ocorreram por decisão judicial e 40 por via administrativa. Esses pacientes não fazem parte de ensaios clínicos oficiais.
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Fonte: Revista Oeste · Por Pâmela Zacarias