A nova investida do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para viabilizar um acordo de delação premiada encontrou resistência dentro da Polícia Federal (PF).

Integrantes da corporação avaliam que o material complementar entregue pela defesa na semana passada ficou aquém das expectativas e não apresentou informações com potencial para alterar o rumo das investigações.

Nos bastidores, a percepção é de que o documento acrescenta pouco ao que já foi reunido pelos investigadores da PF. Segundo o site g1, as referências a personagens políticos e a operações financeiras já eram conhecidas pela equipe responsável pelo caso e não foram consideradas suficientes para justificar uma mudança de posição.

O aditivo menciona, entre outros pontos, repasses ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) e cita o filme Dark Horse, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Na avaliação de investigadores, porém, as informações surgem mais como contextualização do que como revelações.

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A defesa de Vorcaro ainda trabalha para fortalecer a proposta de colaboração. O prazo para apresentar novos elementos termina nesta semana, em uma tentativa de convencer a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) de que o ex-banqueiro pode oferecer informações relevantes para o avanço das apurações.

A palavra final caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal. Nos últimos dias, o magistrado manteve reuniões com representantes de Vorcaro e acompanha pessoalmente as negociações envolvendo o acordo.

https://youtu.be/B20wh-Ai2iw?si=t1UQHf0E8MrfgvWw

Perícia reforça resistência ao acordo de delação de Vorcaro

Fontes ligadas à investigação relatam que a preparação da colaboração mobilizou intensamente a equipe jurídica do ex-banqueiro. Nas últimas semanas, advogados realizaram encontros frequentes com o empresário para revisar documentos e definir a estratégia adotada nas conversas com as autoridades.

O ambiente de desconfiança, contudo, permanece. Investigadores sustentam que Vorcaro ainda não apresentou fatos considerados decisivos e mantêm a avaliação de que parte do conteúdo entregue busca resguardar pessoas ligadas ao caso.

Essa percepção já havia motivado a rejeição de uma versão anterior da delação. Desde então, as negociações passaram a envolver simultaneamente a PF e PGR, que analisam em conjunto a viabilidade do acordo.

A resistência ganhou força também por causa das provas reunidas pela investigação. A perícia realizada em aparelhos eletrônicos apreendidos com o ex-dono do Master indicou.

Segundo fontes do caso, indícios que extrapolariam suspeitas de fraudes financeiras e alcançariam possíveis crimes relacionados à corrupção, organização criminosa e monitoramento ilegal de adversários.

Paralelamente às discussões sobre o conteúdo da colaboração, segue em debate a reparação financeira. Interlocutores de Vorcaro afirmaram, no mês passado, que o ex-banqueiro aceitou elevar de R$ 40 bilhões para R$ 60 bilhões o valor que estaria disposto a devolver em um eventual acordo com a PGR.

Apesar das tratativas em curso, a avaliação predominante na PF é de que o material apresentado até agora não produziu elementos suficientes para superar as objeções que cercam a proposta de colaboração.

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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana