O ex-sócio do Banco Master Maurício Quadrado fechou acordo com o liquidante da instituição. A ação judicial busca recuperar recursos supostamente desviados do banco. O liquidante afirma que o Master transferiu R$ 230 milhões ao Fundo Albali, controlado por Quadrado, em 2024, sem contrapartida.

O Fundo Albali comprou o Hotel Fasano Itaim por R$ 330 milhões. O fundo transferiu parte das cotas para Daniel Vorcaro, fundador do Master. E-mails de abril de 2023 mostram negociações por 50% das cotas. O Banco de Brasília (BRB) informou que as cotas constavam como ativos de Quadrado em abril de 2025, o que indicaria confusão patrimonial.

Em março deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo bloqueou os bens do executivo e de familiares por suposta participação nos desvios. Em 29 de maio, os advogados pediram a suspensão do processo por 90 dias para negociar.

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Colaboração de ex-sócio do Banco Master

O liquidante afirma que Quadrado "vem colaborando com os trabalhos de recuperação de ativos e com as investigações em curso", "mediante a prestação de informações e documentos". No acordo, Quadrado e familiares prometeram não vender, doar ou transferir bens relacionados ao caso.

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A defesa, porém, nega irregularidades. "A defesa de Maurício Quadrado afirma que não houve qualquer desvio para beneficiá-lo e que isso ficou comprovado para o liquidadante e para o escritório Duarte Forssel", diz em nota. "Tanto é assim que o escritório Duarte Forssel protocolou uma petição suspendendo o pedido de protesto de bens do executivo."

Este é o primeiro sinal de cooperação de um ex-sócio desde a liquidação extrajudicial do banco pelo Banco Central, em novembro do ano passado. A Banvox Holding Financeira, de Quadrado, possuía 22,07% do capital do Master até agosto de 2024.

Suspeitas de blindagem patrimonial

O liquidante afirma que Quadrado e a mulher doaram quatro imóveis a familiares entre setembro e outubro de 2025, antes da liquidação. As doações tinham cláusulas de incomunicabilidade e impenhorabilidade. Segundo o liquidante, o ato indica blindagem patrimonial.

Um quinto imóvel foi vendido à Fraction 032, empresa do casal, por R$ 5,9 milhões em outubro de 2025. O liquidante afirma que houve subavaliação, pois outros apartamentos no mesmo edifício custavam R$ 22 milhões.

Além disso, a Polícia Federal investiga Quadrado nas operações Compliance Zero e Carbono Oculto. Em janeiro, a PF cumpriu mandados de busca na Trustee DTVM, controlada pelo empresário. As investigações apuram gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, manipulação de ativos e compra indireta de ações do BRB.

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Fonte: Revista Oeste · Por Letícia Alves