A contagem dos votos da eleição presidencial peruana segue em ritmo mais lento do que o esperado, mesmo três dias depois do pleito realizado no domingo 7. A expectativa das autoridades eleitorais é que a apuração completa só seja finalizada até o início de julho, por causa da pequena diferença de votos entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez.
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O cenário de disputa acirrada contribui para a demora, já que a vantagem de poucas dezenas de milhares de votos exige precisão na conferência dos resultados. O uso do voto impresso e o terreno difícil do país também são obstáculos. Em muitas regiões, as cédulas precisam ser transportadas por barco ou animais até centros de apuração, pois há áreas de selva e montanhas sem acesso fácil, informou a CNN.
Resistência ao voto eletrônico e votos do exterior
O Peru descartou a adoção do voto eletrônico em dezembro, depois de uma auditoria do Conselho Nacional Eleitoral demonstrar falhas técnicas e de segurança em um projeto piloto. O relatório do Escritório Nacional de Processos Eleitorais avaliou aspectos como arquitetura do sistema, cibersegurança e transparência, mas considerou a proposta inviável.
Outro fator que retarda a apuração é o voto dos peruanos residentes no exterior. Mais de 1,2 milhão de eleitores fora do país estavam aptos a votar, representando 4,4% do total do cadastro eleitoral. As cédulas vindas do exterior chegam a Lima de avião e são contabilizadas nas etapas finais.
Procedimento detalhado e rigor das regras eleitorais
O procedimento para proclamar o vencedor no Peru é complexo e envolve várias etapas. O Onpe organiza todo o processo, incluindo a logística e o cadastro dos eleitores. As atas podem ser encaminhadas ao Júri Eleitoral Especial (JEE) para análise de recursos e dúvidas locais. Até a noite de terça-feira 9, mais de 1,5 mil atas aguardavam envio ao JEE.
Depois disso, os resultados precisam ser validados pelo Júri Nacional de Eleições, responsável por fiscalizar todo o processo e anunciar oficialmente o vencedor. O clima político do Peru, marcado por polarização e desconfiança, também impacta o andamento da apuração. O país caminha para eleger seu nono presidente em dez anos. Francisco Sagasti, ex-presidente do Peru, afirmou que a desconfiança obriga a verificação cuidadosa de todas as atas. “Ver todas as atas” é necessário, disse Sagasti à CNN Espanhol.
O rigor das regras eleitorais permite que detalhes mínimos, como assinaturas fora do campo ou rasuras em atas, possam invalidar resultados.
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Fonte: Revista Oeste · Por Yasmin Alencar