O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, declarou neste sábado, 20, estado de emergência no país, em meio ao avanço das manifestações de rua contra o governo e ao recrudescimento da crise política e econômica.

Em pronunciamento à nação, o líder boliviano, de centro-direita, disse que espera restabelecer a ordem e proteger os cidadãos, além de assegurar o fluxo de bens essenciais à população – como alimentos, remédios e combustíveis.

“Este não é um estado de emergência para restringir a vida das pessoas”, afirmou Paz. “É um estado de emergência para devolver a liberdade ao povo e libertar a Bolívia daqueles que usam o conflito político para bloquear estradas e prejudicar a população.”

https://twitter.com/Rodrigo_PazP/status/2068203669422473272

Protestos já duram 50 dias

A medida decretada pelo presidente da Bolívia amplia os poderes do governo para acionar as Forças Armadas e desbloquear estradas ocupadas por manifestantes há 50 dias. Os protestos preocupam as autoridades porque vêm afetando diretamente o abastecimento em todo o país, o que acaba atingindo a economia boliviana.

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De acordo com a legislação do país, o decreto de Rodrigo Paz deve entrar em vigor imediatamente. O governo, no entanto, tem de comunicar o Congresso em até 24 horas. Com isso, os parlamentares têm um prazo de até 72 horas para aprovar ou rejeitar o estado de emergência.

Evo Morales lidera protestos na Bolívia

As manifestações contra o governo de Rodrigo Paz são lideradas pelo ex-presidente boliviano Evo Morales, líder cocaleiro que governou o país de 2006 a 2019.

Os protestos reúnem uma série de associações rurais e sindicatos ligados a Evo. Os manifestantes bloquearam diversas rodovias em várias regiões do país, impedindo a passagem de caminhões.

Na sexta-feira 19, o governo Paz anunciou um acordo com a Confederação Operária Boliviana (COB), maior central sindical do país. Entretanto, grupos ligados a Morales não reconheceram o acordo, alegando que não participaram das negociações. Assim, os bloqueios persistem, especialmente na região de Cochabamba.

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Corte de subsídios e reformas impopulares

A crise política na Bolívia começou depois que o governo cortou subsídios aos combustíveis com o intuito de diminuir o rombo fiscal do país, em um cenário de escassez de dólares e negociações com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em reação aos protestos, o governo adotou medidas para impedir o aumento excessivo de preços dos combustíveis e recuou em reformas impopulares – como a agrária, por exemplo. Apesar disso, as manifestações se intensificaram nas últimas semanas.

Em linhas gerais, os manifestantes reivindicam mudanças nas regras para distribuição de terras, reajustes salariais para diversas categorias, medidas efetivas para assegurar mais combustíveis e dólares e até a renúncia do presidente da Bolívia.

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Fonte: Revista Oeste · Por Fábio Matos