A Suprema Corte da Espanha condenou nesta segunda-feira, 22, o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos a 24 anos de prisão por corrupção. A sentença atinge um dos aliados mais próximos do primeiro-ministro Pedro Sánchez e amplia a pressão sobre o governo esquerdista.

Os juízes consideraram Ábalos culpado por organização criminosa, suborno, peculato e tráfico de influência. As acusações envolvem fraudes em contratos públicos para a compra de materiais médicos durante a pandemia de covid-19, período em que o político integrava o governo espanhol.

Presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, e a primeira-dama Begoña Gómez | Foto: Carlos Delgado/Wikimedia

Ábalos teve papel central na ascensão de Sánchez ao poder. Além de integrar o círculo de confiança do premiê, o ex-ministro participou de articulações decisivas dentro do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), legenda que governa o país.

A decisão da Justiça representa a primeira grande condenação em uma série de escândalos que atingem integrantes ligados ao partido governista.

A Corte também condenou Koldo García, ex-assessor e braço direito de Ábalos no ministério, a 19 anos de prisão.

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O empresário Víctor de Aldama recebeu pena de quatro anos e meio. O tribunal, contudo, suspendeu o cumprimento da condenação em razão da colaboração prestada durante as investigações.

Pelo acordo firmado com a Justiça, Aldama deverá cumprir uma série de exigências, entre elas a apresentação periódica de relatórios de atividades e a prestação de serviços comunitários.

Casos cercam entorno de Sánchez

O julgamento integra uma sequência de investigações que alcançam pessoas próximas ao premiê espanhol. Embora Pedro Sánchez não figure como investigado nos processos, a oposição tem explorado politicamente o avanço dos casos.

O próprio Sánchez afirma que enfrenta uma campanha destinada a enfraquecer seu governo e rejeita qualquer ligação com as irregularidades apuradas pela Justiça.

A condenação de Ábalos, contudo, aumenta o desgaste do líder socialista em um momento de forte pressão política.

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Nos últimos meses, outros nomes ligados ao entorno do premiê passaram a enfrentar problemas judiciais. O irmão de Sánchez respondeu a julgamento por tráfico de influência. Begoña Gómez, mulher do primeiro-ministro, também deve enfrentar julgamento por acusações que incluem tráfico de influência e uso indevido de recursos públicos.

Outro nome próximo ao governo, o ex-primeiro-ministro socialista José Luis Rodríguez Zapatero, foi acusado de supostamente atuar junto ao governo em troca de comissões ilegais.

Diante do avanço das investigações, o líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, presidente do Partido Popular, voltou a pedir a renúncia de Sánchez e a convocação de novas eleições na Espanha.

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Fonte: Revista Oeste · Por Victória Batalha