Israel e Estados Unidos chegaram, nesta segunda-feira, 22, a um entendimento segundo o qual não haverá retirada militar do Líbano neste momento. Ainda assim, as ações no terreno serão reduzidas em escala e conduzidas sob coordenação mais estreita entre as duas partes.

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As operações militares terrestres previstas terão caráter restrito. O objetivo será a eliminação de ameaças específicas e a conclusão da remoção de estruturas consideradas terroristas na região ao sul da chamada “linha amarela”, delimitada por Israel no sul do Líbano.


Na última semana, o presidente Donald Trump se queixou de ação israelense no Líbano. Utilizou o argumento de que este tipo de operação iria atrapalhar a definição das reuniões para um memorando de entendimento com o Irã.

Israel, porém, o convenceu de que, segundo o governo local, não pode recuar neste momento. Tropas israelenses continuam atuando em território libanês, segundo o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI). O Irã, por sua vez, exige uma retirada completa de Israel e é acusado de influenciar a escalada de ações do grupo terrorista Hezbollah.

Autoridades israelenses, segundo o Israel Hayom, avaliam que a Guarda Revolucionária Islâmica atua para dificultar o avanço dos contatos diplomáticos em curso. As duas frentes de negociação conduzidas pelos EUA, uma no Irã e outra o Líbano, podem convergir para um cenário de conflito entre agendas distintas.

Foi estabelecido também um nível mais alto de coordenação entre as FDI e o Comando Central dos Estados Unidos. Isso não se limita a avisos prévios de última hora antes de operações relevantes, mas inclui atualização contínua sobre violações atribuídas ao Hezbollah e sobre ações militares israelenses.

Operações ofensivas de maior escala, como ataques profundos no Vale do Beqaa, no Líbano, dependerão de autorização diplomática de alto nível em Israel. Nessas decisões, será definido como o tema será tratado junto à cúpula política norte-americana. Segundo autoridades, isso não significa restrição operacional direta aos soldados, mas maior cautela e limitação de iniciativas ofensivas preventivas.

Uma fonte israelense afirma que essa mudança decorre menos de pressão dos EUA ligada às negociações com o Irã e mais da tentativa de viabilizar conversas produtivas entre Israel e o governo libanês, previstas para ocorrer em Washington.

Enquanto isso, negociações paralelas entre Washington e Teerã seguem em andamento. O Irã condiciona a continuidade das tratativas à retirada total de Israel e ao cessar-fogo completo. Esse posicionamento, segundo diferentes setores iranianos, aparece de formas distintas dentro do próprio regime.

Israel quer evitar influência do Irã no Líbano

Integrantes da Guarda Revolucionária chegaram a declarar a intenção de voltar a fechar o Estreito de Ormuz, enquanto o Comando Central dos EUA relata que a rota marítima permanece aberta e operando normalmente, com passagem livre de navios e petroleiros. Ao mesmo tempo, a liderança política iraniana atribui essas ameaças a elementos não autorizados.

Washington pressiona Teerã a explicar a escalada de ataques do Hezbollah, depois de serviços de inteligência — incluindo fontes árabes — indicarem que as ordens partem diretamente do Irã.

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Do lado israelense, há a avaliação de que Teerã tenta comprometer o processo diplomático. Segundo reportagens israelenses, autoridades alertaram os EUA de que vincular o memorando de entendimentos à situação no Líbano poderia intensificar o confronto com o Hezbollah.

Segundo uma fonte diplomática envolvida nas conversas entre EUA e Irã afirma que o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, apresentou duas versões ao governo norte-americano: uma oficial, segundo a qual o Hezbollah estaria apenas reagindo a supostas violações israelenses e teria direito de resposta.

Em outra, informal, há a suspeita de que setores contrários ao acordo dentro do Irã estariam tentando sabotar o processo. Não há confirmação sobre a resposta norte-americana, mas as negociações na Suíça continuaram.

Nos EUA, outro ponto de tensão surge da existência de dois eixos paralelos de negociação. Um deles é conduzido pelo vice-presidente J. D. Vance em diálogo com o Irã. O outro é liderado pelo secretário de Estado Marco Rubio, responsável pelo canal direto entre Israel e Líbano.

Internamente, há divergências na equipe norte-americana sobre o memorando de entendimento. Parte dos altos funcionários do governo teria reservas quanto ao acordo, embora não tenha se manifestado publicamente.

Marco Rubio, em conjunto com outros integrantes do governo, trabalha para avançar a negociação entre Israel e Líbano. Um eventual progresso nesse eixo teria impacto direto sobre o Hezbollah e, consequentemente, sobre a posição do Irã na região.

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Fonte: Revista Oeste · Por Eugenio Goussinsky