A representação da Polícia Federal (PF) que embasou as recentes medidas judiciais contra o Banco Digimais sinaliza que a instituição do bispo evangélico Edir Macedo seguiu o mesmo modus operandi de fraudes do Banco Master. De acordo com informações do portal Metrópoles, o documento detalha como a diretoria manipulou registros contábeis para criar uma falsa aparência de liquidez, escondendo a real situação financeira da empresa.

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Com base nessas descobertas, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 670 milhões pertencentes a 10 alvos ligados ao esquema corporativo. O líder religioso não recebeu mandados de busca e apreensão por residir no exterior, mas também acabou alvo da investigação, com a quebra de seu sigilo fiscal e o congelamento de seus bens pessoais.

O documento policial indica que os alvos manipularam demonstrativos e registros oficiais. A intenção era esconder a crise financeira do Banco Digimais. Com isso, o grupo criava uma falsa aparência de solvência para enganar os órgãos de fiscalização do governo.

A Polícia Federal investiga o Banco Digimais por suspeita de manipulação de balanços e fraudes financeiras | Foto: Divulgação

A PF ressalta que o banco "adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master". O modelo consistia em captar dinheiro de forma massiva no mercado. Para atrair os clientes, a empresa oferecia Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com taxas de retorno muito superiores à média.

Segundo os investigadores, a diretoria se aproveitou da confiança dos depositantes. A cúpula do banco passou a "superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais", diz o documento. O objetivo central era "ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito."

As ligações diretas com o Banco Master

A Polícia Federal encontrou conexões entre o Banco Digimais e o Master. Em janeiro de 2025, Maurício Antonio Quadrado, ex-executivo do Banco Master, tentou comprar a instituição de Edir Macedo. A transação ocorreria por meio da holding Bluebank, mas o Banco Central vetou o negócio devido aos riscos operacionais.

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Além disso, os agentes descobriram que o Digimais alocou cerca de R$ 600 milhões em carteiras de direitos creditórios ligadas ao Master. Para a corporação, manter esses créditos de "origem duvidosa" configura um forte indício de gestão fraudulenta.

Os alvos das medidas judiciais

A Justiça autorizou punições e quebras de sigilo contra pessoas físicas e empresas ligadas ao esquema. Confira as listas detalhadas:

Alvos de busca e apreensão:

  • Marcelo de Lima Brasil;
  • João Alves de Campos;
  • Rodrigo Ruggero;
  • João Luiz Urbaneja;
  • Thiago Rodrigues Urbaneja;
  • José Roberto Giancoli Filho;
  • Rodrigo Balassiano;
  • Banco Digimais S.A.;
  • ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.

Alvos com quebra de sigilo fiscal:

  • Edir Macedo Bezerra;
  • João Alves de Campos;
  • João Luiz Urbaneja;
  • José Roberto Giancoli Filho;
  • Marcelo de Lima Brasil;
  • Rodrigo Balassiano;
  • Rodrigo Ruggero;
  • Thiago Rodrigues Urbaneja;
  • B.A. Empreendimentos e Participações S/A;
  • Banco Digimais S.A.;
  • Bless Capital Gestora de Recursos;
  • Digimais Securitizadora de Créditos Financeiros S.A.;
  • EXP 1 FIDC-NP;
  • Guidare Fim CP;
  • Hermon Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados;
  • ID 112 FIDC-NP;
  • ID Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.;
  • Rocha Silva Consultoria e Estruturação (Marcos Serviços de Consultoria Ltda.).

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Fonte: Revista Oeste · Por Vanessa Araujo