Dirigentes do Novo passaram a discutir reservadamente a retirada da pré-candidatura presidencial de Romeu Zema. Depois da sequência de críticas públicas a Flávio Bolsonaro, lideranças conservadoras da legenda acreditam que o ex-governador mineiro deveria recuar da disputa ao Palácio do Planalto e buscar uma candidatura ao Senado — ou até à Câmara dos Deputados.
Conforme apurou Oeste, a crise interna se agravou nos últimos dias e já provocou debates sobre a viabilidade política de Zema dentro do partido. Integrantes do Novo afirmam que o ex-governador perdeu apoio interno e corre o risco de derrota na convenção que escolherá o candidato presidencial da sigla.
Nesta semana, dirigentes chegaram a criar uma enquete informal entre integrantes do partido para medir o clima interno depois das críticas de Zema a Flávio. O placar teria sido amplamente desfavorável ao ex-governador.
Relatos obtidos pela reportagem mostram que Zema se isolou politicamente ao transformar Flávio em alvo recorrente de críticas. A ala conservadora do Novo acusa o ex-governador de pôr em risco alianças estratégicas com o PL e prejudicar candidatos ligados ao eleitorado bolsonarista.
Novo quer cumprir cláusula de barreira
A crise se agravou depois de Zema divulgar um vídeo criticando Flávio. A manifestação ocorreu depois da divulgação, pelo site Intercept Brasil, de áudios e mensagens atribuídos ao senador e ao empresário Daniel Vorcaro sobre pedidos de recursos para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reservadamente, dirigentes do Novo afirmam que o problema deixou de ser apenas o episódio específico envolvendo Vorcaro. A avaliação é que Zema passou a adotar um posicionamento de enfrentamento contra Flávio, o que provocou desgaste dentro do partido no momento em que o Novo tenta ampliar alianças à direita para 2026.
O desconforto é maior em Estados onde o Novo depende de acordos políticos com o PL. No Paraná, por exemplo, integrantes da legenda articulam um palanque conjunto envolvendo Sergio Moro (PL) ao governo e Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL) ao Senado, numa composição que prevê apoio à candidatura presidencial de Flávio.
Segundo relatos obtidos por Oeste, integrantes da ala conservadora argumentaram a Zema que o Novo hoje depende politicamente do eleitorado bolsonarista para atingir a cláusula de barreira nas eleições de 2026. A avaliação desse grupo é que diversos políticos conservadores permaneceram no partido justamente para fortalecer a bancada federal da legenda.
O clima interno ficou ainda mais tenso depois de reuniões reservadas realizadas nos últimos dias entre dirigentes nacionais, parlamentares e aliados de Zema. Nessas conversas, integrantes da ala conservadora teriam defendido que o ex-governador abandone a disputa presidencial antes da convenção partidária.
Partido oferece alternativa a Zema
Uma das alternativas discutidas nos bastidores é uma candidatura ao Senado. Outra possibilidade cogitada por aliados seria uma disputa para a Câmara dos Deputados, embora integrantes do partido afirmem existir dúvidas jurídicas sobre os gastos já realizados por Zema durante a pré-campanha presidencial. Segundo apurou a reportagem, dirigentes avaliam se o ex-governador ainda conseguiria recuar sem enfrentar questionamentos relacionados ao teto de despesas eleitorais.
A ala conservadora do Novo sustenta que, caso Zema mantenha os ataques a Flávio, sua candidatura presidencial poderá se tornar politicamente insustentável dentro da legenda. Reservadamente, dirigentes afirmam que o ex-governador hoje está isolado e perdeu espaço entre setores influentes do partido.
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Este conteúdo é originalmente de Revista Oeste. Para a reportagem completa com todos os detalhes, acesse:
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Fonte: Revista Oeste · Por Edilson Salgueiro