Depois de quatro meses da destituição do ditador Nicolás Maduro, a Venezuela passa por um lento processo de redemocratização, disse a Oeste uma fonte da diplomacia norte-americana.
"São anos de controle do regime chavista e é preciso sanear as estruturas do país, principalmente, as Forças Armadas e os Poderes", afirmou a fonte, ao mencionar que o Executivo prefere María Corina Machado no Palácio Miraflores. "É algo que não se faz em menos de um ano e pode ser que vá além."
Por isso, o Departamento de Estado dos EUA ainda não trabalha com a possibilidade de eleições gerais.
Ainda de acordo com o diplomata, a sucessora de Maduro, Delcy Rodríguez, atua sob forte influência da Casa Branca. "É uma governante tutelada", afirmou.
Conforme ele, Delcy tem cooperado com exigências americanas, especialmente em temas ligados à abertura econômica, libertação gradual de presos políticos e reorganização do setor petrolífero venezuelano.
A avaliação da fonte é que os EUA tentam conduzir uma “redemocratização vigiada” da Venezuela, evitando um colapso institucional completo do chavismo, que ainda tem poder no país e, ao mesmo tempo, reduzindo a influência de países como Rússia, China e Irã sobre Caracas e a América Latina.
Nesse contexto, o petróleo aparece como peça central da estratégia americana. A aproximação entre Washington e Caracas ocorre paralelamente à flexibilização parcial de sanções, reabertura de canais diplomáticos e estímulo à entrada de empresas estrangeiras no setor energético venezuelano.
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Eleições legislativas nos EUA não interferem tutela sobre a Venezuela
Embora Caracas venha cooperando com a Casa Branca, sobretudo nas áreas econômica e energética, integrantes do chavismo também trabalham para ganhar tempo e atravessar o atual governo republicano ou contar com seu enfraquecimento.
Segundo o diplomata, no entanto, mesmo que o presidente Donald Trump venha a perder a Câmara dos Representantes ou o Senado para os democratas nas eleições legislativas deste ano, a Venezuela seguiria sob tutela do governo.
"A diplomacia continua nas mãos do presidente", disse o diplomata, que admitiu a possibilidade de maior fiscalização do Parlamento. "Mas nem os democratas querem interferir nisso."
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Fonte: Revista Oeste · Por Cristyan Costa