A guerra entre a Rússia e a Ucrânia completou 1.569 dias nesta quinta-feira, 11. Com isso, o conflito iniciado pela invasão russa ultrapassou a duração da Primeira Guerra Mundial, que se estendeu por 1.568 dias, entre julho de 1914 e novembro de 1918.
Quando o presidente russo, Vladimir Putin, ordenou a invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, autoridades russas acreditavam que a ofensiva poderia derrubar o governo ucraniano em poucos dias. A resistência de Kiev, porém, mudou o rumo da guerra e transformou o confronto em uma disputa prolongada de desgaste.
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Ao jornal norte-americano New York Times, um militar ucraniano identificado apenas pelo codinome “France” afirmou que não imaginava que o conflito duraria tanto tempo. “Pensava em dois ou três anos, e, então, os políticos encontrariam algum tipo de consenso”, disse o soldado ao jornal norte-americano.
Conflito segue sem perspectiva de fim
Mais de quatro anos depois do início da invasão em larga escala, as negociações de paz continuam sem avanços significativos. Os combates seguem ativos em diversas regiões da Ucrânia, especialmente no leste e no sul do país.
Pesquisas citadas pelo New York Times mostram que cerca de metade dos ucranianos acredita que a guerra não terminará antes de 2027. Caso essa previsão se confirme, o conflito se aproximará da duração da Segunda Guerra Mundial, que se estendeu por seis anos.
Para parte da população ucraniana, a guerra atual começou antes de 2022. Muitos consideram que o conflito teve início em 2014, quando forças russas assumiram o controle da Crimeia e apoiaram movimentos separatistas no leste da Ucrânia.
De trincheiras à guerra de drones
Especialistas ouvidos pelo jornal norte-americano afirmam que a guerra na Ucrânia reúne características semelhantes às da Primeira Guerra Mundial. O historiador militar francês Michel Goya destacou que os dois conflitos começaram com ofensivas rápidas que fracassaram e evoluíram para uma guerra de desgaste.
No fim de 2022, tropas russas e ucranianas passaram a ocupar trincheiras e posições fortificadas ao longo da linha de frente. Os combates frequentemente envolviam bombardeios de artilharia seguidos por avanços de pequenos grupos de infantaria.
Segundo os especialistas, o uso crescente de drones mudou essa dinâmica. As trincheiras abertas se tornaram mais vulneráveis à vigilância constante e aos ataques de precisão.
Com isso, soldados passaram a utilizar abrigos menores e mais profundos. Os grandes ataques de tropas também perderam espaço. Em muitas áreas, os exércitos agora realizam investidas com poucos combatentes para reduzir o risco de detecção.
O conflito combina elementos da guerra de trincheiras do século passado com tecnologias modernas de combate.
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Fonte: Revista Oeste · Por Pâmela Zacarias