A inflação dos alimentos registrou o maior avanço para o mês em 18 anos. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 12, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a alimentação no domicílio subiu 1,65%, maior variação para maio desde 2008, quando o índice alcançou 2,27%.
O resultado reforça as preocupações de economistas com o comportamento dos preços ao longo de 2026. Instituições financeiras e consultorias já revisaram suas projeções para a alimentação no domicílio e passaram a trabalhar com uma inflação acumulada superior a 7% até dezembro.
A alta dos alimentos reflete uma combinação de fatores. Além das oscilações sazonais que afetam a oferta de produtos agrícolas, especialistas apontam os efeitos da guerra no Irã sobre os custos de energia e transporte, bem como o risco de um episódio intenso de El Niño no segundo semestre.
Entre os produtos que mais pressionaram o índice em maio estão a batata-inglesa, com alta de 44,69%, o tomate, que subiu 20,62%, e a cebola, com aumento de 16,80%. As carnes também registraram elevação de preços, acumulando alta de 1,39% no mês. Até abril, a alimentação no domicílio acumulava inflação de 2,99% em 12 meses.
Com os resultados recentes e os riscos para os próximos meses, economistas passaram a projetar uma aceleração mais intensa do indicador.
Guerra e clima impactam na inflação
O conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais do petróleo e aumentou os custos logísticos em diferentes mercados.
No Brasil, o reflexo mais direto apareceu no diesel, combustível fundamental para o transporte rodoviário de cargas. Como a distribuição de alimentos depende majoritariamente de caminhões, o encarecimento do frete tende a pressionar os preços ao consumidor.
Ao mesmo tempo, meteorologistas monitoram a possibilidade de formação de um El Niño de forte intensidade. O fenômeno costuma alterar o regime de chuvas no Brasil, aumentando o risco de seca em algumas regiões e de excesso de precipitações em outras.
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Caso as previsões se confirmem, a produção agropecuária poderá enfrentar dificuldades, reduzindo a oferta de determinados produtos e contribuindo para novas altas de preços.
O aumento do custo dos alimentos pesa principalmente sobre as famílias de menor renda, que destinam parcela maior do orçamento à alimentação.
Em 2022, a inflação da alimentação no domicílio fechou o ano em 13,23%. Analistas apontaram o encarecimento dos produtos básicos como um dos fatores que influenciaram o cenário eleitoral daquele ano.
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Fonte: Revista Oeste · Por Luana Viana