A Bolsa de Valores do Brasil, B3, registrou saída líquida de R$ 12 bilhões de investidores estrangeiros em maio, no maior fluxo mensal negativo desde julho de 2025, segundo relatório do Bank of America (BofA).
O movimento ocorreu em um cenário de retirada de recursos de mercados emergentes e da América Latina, influenciado pela reprecificação dos juros nos Estados Unidos, fortalecimento do dólar e deterioração do sentimento dos investidores em relação aos países em desenvolvimento.
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O levantamento, assinado pelos estrategistas Paula Andrea Soto, David Beker, Carlos Peyrelongue, Mateus Conceição e Anna Clara Malheiros, mostra que os investidores estrangeiros concentraram as vendas no mercado à vista, que registrou fluxo negativo de R$ 15 bilhões. No mercado futuro, houve entrada de R$ 3 bilhões, insuficiente para compensar as perdas.
Segundo o relatório, o setor de Energia foi o único a registrar compras líquidas de estrangeiros no mercado à vista. Já Consumo Discricionário, mais ligado a empresas de varejo, liderou as vendas. “Os fundos globais de emergentes foram o epicentro das saídas”, observou o banco ao analisar o desempenho dos fluxos internacionais.
O BofA afirma que a América Latina teve desempenho inferior ao dos mercados globais em maio. Os fluxos para fundos de mercados emergentes sem exposição à China ficaram negativos pela primeira vez desde agosto de 2025. Esses fundos registraram saída de US$ 6 bilhões no mês, revertendo a entrada de US$ 8 bilhões observada em abril e encerrando uma sequência de oito meses consecutivos de captação.
No recorte regional, os investidores reduziram posições em América Latina e Índia, enquanto aumentaram a exposição à Coreia do Sul e Taiwan. Para o banco, o movimento indica perda de interesse por emergentes de maneira mais ampla, ao mesmo tempo em que os setores ligados à inteligência artificial e tecnologia continuam atraindo recursos.
Apesar da retirada recente, o saldo acumulado do ano para os fundos de emergentes sem China permanece positivo em US$ 85 bilhões. Em 2025, o montante havia alcançado US$ 48 bilhões.
No mercado doméstico, o relatório aponta uma desaceleração dos resgates em fundos de ações. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais mostram saída de R$ 0,6 bilhão em maio, depois de uma entrada de R$ 0,3 bilhão em abril.
O fluxo semanal médio negativo caiu para R$ 0,1 bilhão nos dois últimos meses, bem abaixo das médias de R$ 0,6 bilhão por semana no primeiro trimestre de 2026 e de R$ 0,9 bilhão em 2025.
Mercado continua tirando dinheiro de fundos multimercados do Brasil
Fundos multimercados, contudo, seguem enfrentando retiradas de recursos. As saídas somaram R$ 5,7 bilhões em maio, ante R$ 3 bilhões em abril. A participação de ações na carteira da indústria de fundos brasileira também diminuiu, passando de 8,1% em março para 8,0% em abril.
Outro ponto destacado pelo BofA é a aceleração dos resgates nos fundos de crédito corporativo. Segundo o banco, esses produtos registraram retirada de R$ 22,6 bilhões em maio, acima dos R$ 15 bilhões observados em abril.
Mesmo com a piora recente, o fluxo acumulado no ano para essa categoria continua positivo em R$ 44 bilhões. Em 2025, o saldo havia atingido R$ 133 bilhões.
O relatório também menciona a poupança, que recebeu R$ 10 bilhões em abril e nos primeiros dias de maio. Ainda assim, a modalidade acumula saída líquida de R$ 13 bilhões em 2026, depois de encerrar 2025 com fluxo negativo de R$ 9 bilhões.
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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão