Uma fazenda em Iporanga, no Vale do Ribeira, em São Paulo, deu ao palmito, um produto muito valorizado pelo consumidor, possibilidades de agregar valor por meio da gastronomia criativa e do turismo.

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A Palmitolândia, criada pela produtora Gabriella Rodrigues, foi recentemente reconhecida com o selo de Indicação Geográfica (IG) do Vale do Ribeira. Proporciona ao visitante experiências que incluem vivências gastronômicas, oficinas, contato com sistemas agroflorestais e a oportunidade de conhecer de perto a cultura do palmito pupunha.


A iniciativa já conquistou vários prêmios, em áreas como agricultura, empreendedorismo e turismo sustentável. O último deles foi a classificação Ouro pela categoria Educação Ambiental e Conscientização, no 3° Prêmio ESG. À Agência SP, Gabriella afirmou: “O prêmio reforça a certeza de que estamos construindo um caminho diferente, mostrando que é possível produzir, empreender e preservar ao mesmo tempo".

A produtora nasceu em São Paulo, mas foi criada em contato direto com a natureza, entre hortas, animais e áreas verdes. Viajava para a região de Iporanga ainda na infância, quando explorava as cavernas e cachoeiras do Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (Petar). Ela é formada em Comunicação Social e tem mais de quinze anos de atuação na área. Mas encontrou no palmito pupunha uma oportunidade para unir propósito, empreendedorismo e conservação ambiental.

Foi assim, no fim da década de 1990, o início da Palmitolândia. Na ocasião, a família trouxe uma tonelada de sementes de palmito pupunha do Pará para testar uma teoria defendida por agrônomos da época: substituir a extração predatória do palmito juçara por uma alternativa cultivável e sustentável. A experiência se transformou em um modelo inovador de negócio que hoje é referência nacional.

“Queremos mostrar que o palmito é muito mais do que um ingrediente de salada", ressalta ela. "É um superalimento versátil, nutritivo e que pode ocupar um lugar de destaque na gastronomia brasileira."

A preservação ambiental faz parte da essência do empreendimento. Sistemas agroflorestais, que combinam cultivo agrícola e recuperação da vegetação nativa, são a base da produção. Além disso, a Palmitolândia investe em conceitos de economia criativa, colaborativa e circular, ao desenvolver projetos em parceria com artistas, produtores e profissionais de diferentes áreas.

A construção da Casa do Palmito, espaço cultural voltado à realização de oficinas gastronômicas e artísticas, está entre os próximos investimentos. Os outros serão direcionados para a ampliação da estrutura de produção e melhorias na hospedagem para receber um número maior de visitantes.

Projetos ligados ao palmito em região da Mata Atlântica

Gabriella considera que a aproximação entre iniciativa privada e poder público é fundamental para ampliar o alcance dessas iniciativas. “Existem muitos projetos que nasceram aqui e que podem ganhar o mundo", observa. Precisamos fortalecer a conexão entre o setor público e o privado para transformar boas ideias em oportunidades de desenvolvimento."

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Ao conhecerem de perto a realidade da floresta e da agricultura sustentável, turistas passam a enxergar novas possibilidades para a relação entre consumo e a natureza. Na visita, se unem conceitos que transformam um produto agrícola em símbolo de sustentabilidade, identidade regional e desenvolvimento para a região. Uma frase resume o objetivo do projeto: “Dinheiro não se come. Palmito sim.”

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Fonte: Revista Oeste · Por Eugenio Goussinsky