O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu nesta semana o deputado Léo Prates (Republicanos-BA) para relatar o Projeto de Lei (PL) 1.838/2026, que regula as mudanças aprovadas pela Casa na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fim da Escala 6x1. 

A escolha mantém à frente da matéria o mesmo parlamentar que relatou a proposta aprovada pela Câmara em 27 de maio. Enquanto a PEC aguarda tramitação no Senado Federal, o PL de regulamentação detalha como as novas regras devem funcionar na prática para trabalhadores e empregadores.

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Encaminhado pelo governo federal, o texto altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para adaptar diferentes categorias profissionais ao novo modelo de jornada. A proposta estabelece limites de carga horária, regras para descanso semanal e critérios para categorias submetidas a regimes especiais de trabalho.

Principais pontos do projeto

  • Jornada máxima de 40 horas semanais e 8 horas diárias;
  • Garantia de dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas;
  • Folgas preferencialmente aos sábados e domingos;
  • Proibição de redução salarial em razão da diminuição da jornada;
  • Aplicação das novas regras a trabalhadores da iniciativa privada, domésticos, comerciários, radialistas, atletas, caminhoneiros, tripulantes de voo e outras categorias;
  • Manutenção de escalas especiais, desde que respeitada a média máxima de 40 horas semanais; e
  • Possibilidade de negociação coletiva para adequações específicas.
https://www.youtube.com/watch?v=I-rRqP9Resc

O que muda para os trabalhadores

O principal ponto da proposta é a redução da jornada semanal. Pelo texto, a duração normal do trabalho não poderá ultrapassar oito horas por dia e 40 horas por semana para os trabalhadores abrangidos pela nova legislação. A regra também valerá para categorias que atualmente possuem previsão legal ou convencional de carga horária superior ao novo limite.

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Outra mudança central é a criação do direito a dois repousos semanais remunerados de 24 horas consecutivas cada. O projeto estabelece que essas folgas deverão coincidir, preferencialmente, com o sábado e o domingo, embora permita adaptações conforme as características de cada atividade econômica ou por meio de negociação coletiva.

O texto também estabelece que a redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários. A vedação alcança trabalhadores contratados em regime parcial, avulsos e categorias submetidas a regimes especiais de trabalho.

Léo Prates também foi relator da PEC do Fim da Escala 6x1, aprovada na Câmara no fim de maio | Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados

Quais categorias serão afetadas

A proposta promove alterações em diversas legislações específicas para adequar categorias profissionais ao novo modelo de jornada.

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As mudanças atingem empregados do comércio, trabalhadores domésticos, radialistas, atletas profissionais, caminhoneiros, tripulantes de voo, profissionais do esporte e outras categorias que atualmente possuem regras próprias sobre duração do trabalho e descanso semanal.

Para os comerciários, por exemplo, o projeto determina expressamente uma escala de cinco dias de trabalho para dois dias de descanso. Já para os caminhoneiros em viagens de longa distância, a proposta garante dois repousos semanais remunerados para cada semana ou fração trabalhada.

https://www.youtube.com/watch?v=bXTVcUHqmTM

Escalas especiais serão mantidas

Apesar da redução da jornada semanal, o governo não propõe o fim de modelos especiais de trabalho.

O texto preserva a possibilidade de adoção de escalas como a jornada de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso. Nesses casos, porém, deverá ser respeitada a média mensal correspondente a 40 horas semanais, além das exigências previstas em negociação coletiva quando aplicáveis.

A proposta também mantém mecanismos de compensação de jornada já previstos na legislação trabalhista, desde que observados os novos limites máximos estabelecidos pela lei.

Defesa da proposta pelo governo

O PL foi encaminhado à Câmara pelo Ministério do Trabalho, pasta chefiada por Luiz Marinho | Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Na exposição de motivos enviada ao Congresso, o Ministério do Trabalho afirma que a proposta busca corrigir distorções históricas da organização da jornada laboral no Brasil, especialmente aquelas associadas à escala 6x1.

Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, jornadas extensas e períodos reduzidos de descanso aumentam os riscos de adoecimento e afastamento dos trabalhadores.

“Trata-se, portanto, de medida de relevante interesse público, que concilia proteção social, modernização da legislação trabalhista e promoção de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado e sustentável”, justificou Marinho na proposta.

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Fonte: Revista Oeste · Por Sarah Peres