Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) implantaram no Brasil um programa voltado à redução do uso de bolsas de sangue em cirurgias. Segundo a instituição, a iniciativa diminui infecções hospitalares, mortalidade, tempo de internação e gastos no Hospital São Paulo, unidade pública vinculada à universidade.

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O programa Gestão do Sangue do Paciente reúne estratégias para evitar perdas sanguíneas durante procedimentos médicos e, quando possível, reaproveitar o sangue do próprio paciente.

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De acordo com a Unifesp, depois de um ano de aplicação, o hospital registrou queda de 10% nas infecções hospitalares e de 11% nas mortes. O tempo médio de permanência em unidades de terapia intensiva diminuiu em três dias, enquanto a economia superou R$ 4 milhões.

O modelo foi incluído em um guia global lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2025. A publicação contou com a revisão de cerca de 100 cientistas, entre eles a pesquisadora da Unifesp Isabel Cristina Céspedes.

A relevância do programa da Unifesp 

O programa ganha relevância diante da crescente dificuldade de manter os estoques de sangue. O envelhecimento da população, o aumento de doenças crônicas e a redução das doações pressionam o sistema de saúde e podem levar ao adiamento de cirurgias por falta de bolsas disponíveis.

Além da escassez, pesquisas recentes têm apontado possíveis impactos negativos das transfusões. Estudos citados por Céspedes indicam que componentes presentes no sangue armazenado podem desencadear processos inflamatórios e imunológicos nos receptores.

Isabel disse ao jornal Folha de S.Paulo que essa percepção levou cientistas a tratar a transfusão de maneira semelhante a um transplante de órgãos.

As etapas do programa

O programa é baseado em três etapas principais. A primeira ocorre antes da cirurgia. Nessa fase, especialistas avaliam o estado do sangue do paciente, tratam eventuais anemias e corrigem alterações de coagulação. O objetivo é aumentar a capacidade do organismo de suportar perdas sanguíneas durante o procedimento.

Na etapa cirúrgica, as equipes priorizam técnicas menos invasivas e utilizam medicamentos para controlar sangramentos. Também podem recorrer a equipamentos que coletam o sangue perdido durante a operação, realizam a filtragem e o processamento e o devolvem ao próprio paciente.

Depois da cirurgia, a estratégia busca permitir a recuperação natural do organismo, reduzindo a necessidade de transfusões.

Isabel afirmou à Folha que uma transfusão custa cerca de R$ 600 ao Sistema Único de Saúde, enquanto os medicamentos utilizados na preparação dos pacientes variam de R$ 100 a R$ 150. Os demais equipamentos empregados pelo programa já estão disponíveis na rede pública.

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Atualmente, a iniciativa é aplicada em hospitais de São Paulo e do Maranhão. Os pesquisadores também mantêm negociações para expandir o modelo para Minas Gerais e Amapá.

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Fonte: Revista Oeste · Por Redação Oeste