O enfraquecimento da fiscalização do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para acelerar a análise de pedidos deve ampliar despesas indevidas e comprometer o controle dos gastos públicos, afirma o jornal O Globo. Segundo editorial publicado neste sábado, 13, a medida é mais uma "bondade" de cunho eleitoreiro de Luiz Inácio Lula da Silva.

O custo das iniciativas anunciadas pelo governo Lula no ano eleitoral já ultrapassa R$ 200 bilhões. Entre elas, o jornal cita a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, programas de renegociação de dívidas e linhas de crédito subsidiadas para diferentes categorias profissionais.

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Para O Globo, a flexibilização dos critérios de fiscalização do BPC é a medida mais problemática. A orientação atual do governo é acelerar a concessão de benefícios para reduzir a fila de espera no Instituto Nacional do Seguro Social, em vez de concentrar esforços na revisão de pagamentos considerados suspeitos.

Em ano de eleição, Lula da Silva reedita promessa sobre fim da fila no INSS | Foto: Ricardo Stuckert/PR

A estratégia tende a produzir o oposto do objetivo declarado de combater desperdícios em programas sociais, diz o jornal. "O resultado inevitável será agravar o inchaço desenfreado, efeito contrário ao pretendido pelo alardeado pente-fino nos gastos sociais."

O editorial observa que o número de beneficiários do BPC passou de 5,1 milhões em 2022, último ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, para um contingente 25% maior nos anos seguintes. Embora reconheça a necessidade de atendimento à população vulnerável, o jornal afirma que o crescimento do programa exige mecanismos rigorosos de controle.

“O próprio governo diz cancelar três em dez concessões de BPC que revisa”, destaca o texto. O periódico também menciona estimativas que apontam cerca de R$ 14 bilhões por ano em despesas indevidas relacionadas ao benefício. "Não faltam indícios de fraudes e irregularidades."

Programas como Bolsa Família, Tarifa Social e BPC utilizam o Cadastro Único como base | Foto: Agência Brasil/Divulgação.

A expansão dos últimos três anos foi impulsionada principalmente pelas concessões destinadas a pessoas com deficiência. Nesses casos, o acesso ao benefício depende da comprovação de impedimento físico, mental, intelectual ou sensorial, da inscrição no Cadastro Único (CadÚnico) e do atendimento ao critério de renda familiar.

"As concessões por via judicial se tornaram um problema recorrente", diz o editorial. "Falhas (ou fraudes) nas perícias necessárias para comprovar a incapacidade para o trabalho também contribuem para as concessões irregulares. Por fim, depois de aceitos, muitos beneficiados deixam de se enquadrar no critério de renda, mas continuam no programa."

Gastos com o BPC alcançaram 1% do PIB no governo Lula

O jornal também chama atenção para a evolução das despesas. Descontada a inflação, os gastos com o BPC cresceram 12,5% em 2023, 15% em 2024 e 9% em 2025. Citando relatório da Instituição Fiscal Independente, o editorial afirma que o principal fator de expansão não foi o reajuste do salário mínimo, mas o aumento do número de beneficiários.

Fachada da sede do Instituto Nacional do Seguro Social | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Em 2025, as despesas com o programa alcançaram R$ 127 bilhões, o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB). O percentual representa o dobro do registrado em 2011. Mantida a trajetória atual, a participação poderá chegar a 1,4% do PIB em 2035. "O custo da desordem tem preço", diz o jornal.

Embora o governo afirme estar comprometido com a revisão dos benefícios e projete economia de R$ 1,1 bilhão neste ano, "na prática, tem reagendado revisões de benefícios já concedidos para depois de janeiro", diz O Globo. "Até a eleição, toda a atenção estará nos novos pedidos. Com tantos indícios de irregularidades e de que a fiscalização é falha, não surpreende o tamanho da fila."

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Fonte: Revista Oeste · Por Isabela Jordão